Educação falha
Maceió é a capital do país com pior desempenho em matrícula na pré-escola
Município atende apenas 64,8% das crianças de 4 e 5 anos, ou seja, 30% estão fora das salas de aula
Um indicador inédito divulgado nesta quarta-feira, 29, aponta que apenas quatro capitais brasileiras conseguem atender a todas as crianças de 4 e 5 anos matriculadas na educação infantil. Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), São Paulo (SP) e Vitória (ES) alcançaram universalização. Nessas capitais, a cobertura de atendimento na faixa etária dos 4 e 5 anos é de 100%, segundo dados de 2025.
Por outro lado, Maceió é a capital brasileira com pior desempenho, atendendo apenas 64,8% das crianças na pré-escola nessa faixa etária. Isso significa que mais de 30% dos alunos de 4 e 5 anos estão fora das unidades de ensino, o que viola a legislação que desde 2013 reduziu a idade de escolarização obrigatória de 6 para 4 anos. Abaixo de Maceió, aparece com menor cobertura a capital Macapá, com 71,4% e, João Pessoa, com 73,4%.
Na faixa etária entre 0 e 3 anos, apenas 23,2% das crianças estão matriculadas em creches na capital alagoana, índice preocupante, segundo o levantamento. O indicador foi elaborado pelo instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) em parceria com organizações como as fundações Bracell, Itaú, Van Leer e VelezReyes+, além do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
Para se chegar aos dados, Ernesto Faria, diretor-executivo do Iede, explica que foram cruzados dados do Censo Escolar com projeções populacionais do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS).
O novo indicador do Iede mede o atendimento à educação infantil em nível municipal, com atualização anual, permitindo acompanhar o acesso de crianças às creches (0 a 3 anos) e pré-escolas (4 e 5 anos) em todo o país. Além de Maceió, o levantamento revela um problema nacional: 16% dos municípios brasileiros não atingem nem 90% de cobertura na pré-escola. Em números absolutos, isso representa mais de 300 mil crianças fora da escola.
Especialistas apontam que a ausência na pré-escola compromete o desenvolvimento educacional e amplia desigualdades ao longo da vida escolar. Ainda assim, o estudo indica que fatores como vulnerabilidade social não explicam isoladamente os baixos índices, já que há municípios com dificuldades socioeconômicas que conseguem alcançar alta cobertura.
As desigualdades são ainda maiores quando é levado em consideração onde esses municípios estão localizados. Na Região Norte, 29%, o que corresponde a 130 municípios, têm menos de 90% das crianças matriculadas na educação infantil.
O menor percentual, no entanto, é no Sul, com 11% dos municípios com menos de 90% das crianças de 4 a 5 anos fora da escola. Na Região Centro-Oeste são 21% dos municípios, ou 99; no Nordeste são 17% (304) e, no Sudeste, 13% (213). Os dados são referentes a 2025.
Saber quantas crianças estão fora da escola é importante até mesmo para que se possa fazer uma busca ativa, encontrá-las e garantir que tenham acesso a esse direito, diz o diretor executivo do Iede, Ernesto Martins Faria. A reportagem do Extra aguarda o pronunciamento da Secretaria Municipal de Educação sobre o levantamento divulgado para atualizar a matéria.



